GAPS EM QUARENTENA
Categoria: Partilhas
Poadcast APPLETON – Tatiana Macedo
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A artista visual Tatiana Macedo em conversa com a equipa central da Appleton: Vera Appleton e Leonor Lloret.
O Poadcast APPLETON apresenta diversos convidados/as ligados/as à arte contemporânea e o que eles/elas têm a dizer acerca da sua actividade.
BoCA Online – 4 a 10 MAI
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Atividades semanais, #bocaonline comissiona instruções de performances para serem ativadas em casa – Homework; comissiona e apresenta live streaming de performances – Live Streaming; mostra vídeos e filmes de artistas de coleções (parceria BoCA com Tate Modern e Coleção Fundação de Serralves) e do arquivo BoCA – Press Play; conversa com artistas, pensadores, cientistas, ativistas ou curadores – Conversas Online; apresenta uma nova versão de #ecotemporaneos, que alia fotografia, natureza e literatura dentro de casa – Ecotemporâneos; e desenvolve a plataforma #bocasub21, dedicada à criação artística e pensamento dos mais jovens, entre 16-21 anos – BoCA Sub21.
Ser clandestino em tempo de ditadura e por causa dela – Por Isabel do Carmo
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Ser clandestino em tempo de ditadura e por causa dela – Isabel do Carmo (28.04.2020)
Retirado de: Esquerda.net
Projeto “Confinamento(s) em tempo de ditadura”, organizado por Mariana Carneiro.
A resistência durante os 48 anos de ditadura convém ser medida nessa escala. Enquanto na resistência ao nazismo nos países ocupados durou o tempo da guerra, aqui, em Espanha e na Grécia, durou décadas e apanhou três gerações.
Ser clandestino ou era uma opção para fazer tarefas clandestinas, e para isso era necessário ter uma identidade social de fachada, ou era-se clandestino porque de outro modo se era preso, porque tinha havido uma denúncia. Eu fui clandestina porque fui denunciada num interrogatório de um preso. Não tive outra opção. Andei por várias casas. Algumas legais, sem a presença dos habitantes habituais, outras com os seus habitantes legais, “normais”. Outras alugadas com falsos nomes e com uma vivência construída com um cenário de fachada.

Mulheres de Abril: Testemunho de Isabel do Carmo
Numa delas estive com a minha filha de ano e meio, sozinha com ela. Foi muito difícil. Ela pedia rua, pedia o cão, que andava pela rua. Era difícil entretê-la. Eu estava dependente dos camaradas, que me traziam comida e noticias ou faziam reuniões. Depois vi que era impossível continuar com a minha filha. E a separação tem um tema principal: até quando? Tenho uma grande admiração por essas mulheres que estiveram anos em casas clandestinas, suportando uma vida de fachada, rectaguarda de uma rede em que elas suportavam uma dupla sombra, visto que raramente participavam nas reuniões ou da acção política directa.
Estar numa casa clandestina é ter medo de cada toque de campainha, de cada barulho na rua mais estranho, de cada cara fora do habitual. É tão diferente deste confinamento actual, que muitas vezes sinto uma comparação e uma euforia, porque estou aqui porque quero, abro a janela, falo com a vizinha do lado pela escada de serviço. Sou livre. Pus uma bandeira vermelha à janela no dia 25 de Abril. Que alegria! Não tenho medo.
Outro confinamento é o do isolamento na prisão. Caxias. Entramos, aferrolham a porta. Aquele som da chave a rodar, sem volta atrás. E a nossa solidão. Sem livros, sem papéis, sem relógio. Em frente a janela gradeada a dar para um muro. E no cimo do muro as botas de um guarda para cá e para lá. WC privativo, para não haver saídas da cela. Quinze minutos por dia “recreio”: um pátio de altos muros, sem tecto e sem gente. Suportei muito mal este isolamento, tanto mais que me enfrasquei em café, pois tinha isso sim, comigo, um frasquinho de Nescafé. Má ideia, pois fiquei intoxicada em cafeína, com as respectivas consequências. O isolamento é uma tortura e muitos foram os que o suportaram por largos meses e heroicamente. Li o depoimento de um sobrevivente dos campos de concentração, onde este dizia que o isolamento era pior que os campos, porque nestes havia gente.
O ser humano sobrevive em colectivo. Fica menos inteligente isolado. Definha.
Curiosamente, depois da contra-revolução, em 1978, fui presa durante quatro anos e estive oito meses em isolamento, primeiro na cadeia da PJ do Porto e depois em Caxias. Outra vez os quinze minutos de recreio e os mesmos guardas do antigamente, com as mesmas conversas. Condenada na Boa-Hora por dois juízes ultra do plenário. Julgamento depois anulado.Com um procurador da Intersindical (era na altura a onda dos procuradores) a pedir a pena máxima dentro da acusação. Parecia um filme de reconstituição do antigamente. Sala cheia de polícias. Calabouços da Boa-Hora, mais confinamento. Sinistro. A chamada esquerda revolucionária e alguns socialistas foram solidários. A outra, ou foi cúmplice ou calou-se. Mais uns meses de isolamento nas Mónicas. Celas de pedra exíguas. Janela estreita, gradeada, com profundidade superior a um braço estendido. Grande diferença em relação a estes confinamentos pós-contrarrevolução. Tinha livros, jornais, revistas, cadernos, papéis! É uma grande diferença. E enquanto o meu filho dormia a sesta era uma festa de leitura. Depois dava-lhe revistas para rasgar. O rapaz é agora um grande leitor. E vou com os filhos dele, de seis e três anos, uma vez por semana à livraria.
De modo que este confinamento comparado com os do passado, principalmente durante a ditadura, é uma festa. É voluntário. Temos livros, revistas e jornais. Televisão. Internet. Telemóvel. Vizinhos. Escadas de comunicação, mesmo que seja com máscara e a dois metros. Ouvimos as vozes da família quando queremos e como queremos. Há programas sofisticados para fazermos reuniões. Detesto, porque tenho dificuldades de aprendizagem e um Mac antigo, mas isso é geracional.
E sobretudo temos acesso a informação científica correcta, temos um SNS à altura.
E temos esperança.
Só os da minha geração sabem o que era o verdadeiro confinamento. E o medo.
Grand Palais – Elisabeth Louis Vigée le Brun e Niki de St Phalle
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Grand Palais: 40 vídeos sobre mulheres excepcionais. Conheça, em particular, Elisabeth Louis Vigée le Brun e Niki de St Phalle, duas artistas feministas e mulheres que revolucionaram a arte de seu tempo.
Filmes – Susana de Sousa Dias
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Em momentos de celebração do 25 de abril (ainda), a realizadora Susana de Sousa Dias disponibilizou os filmes “Natureza Morta – Visages d’une dictadure” e “48” no Vimeo. São dois filmes que se debruçam sobre o período do Estado Novo através de imagens de arquivo que trazem para o presente uma memória importante do país que fomos nesses anos. Em “Natureza Morta”, através de imagens retiradas de filmes de arquivo desse período. Em 48 (os anos da ditadura), recorrendo às fotos de presos políticos às quais se justapõe o comentário das pessoas representadas.
NATUREZA MORTA (Still Life)
https://vimeo.com/89415653
48
link: https://vimeo.com/76611259
25 de Abril
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Por António Durães
Na comemoração dos 46 anos do dia 25 de Abril, alunos e professores dos Cursos de Teatro e de Música da Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo, dizem poemas de vários autores com recurso aos meios que cada um dispõe nas condições de emergência e confinamento em que todos nós nos encontramos.
Todos os poemas foram misturados e manipulados, bem como todos os sons que os enquadram, por António Durães, no âmbito das Unidades Curriculares INTERPRETAÇÃO CÉNICA IV e VI, COLECTIVO II e PROJECTO TEATRO MUSICAL ÓPERA da classe de canto do Curso de Música e, em antecipação, de PRODUÇÃO V do Curso de Teatro.
Todos os sons que constam deste recital foram retirados do LP duplo “O dia 25 de Abril / Diário da Revolução/1974″.
Disponível em: https://www.esmae.ipp.pt/noticias/25-de-abril
